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Olá Pessoal!

Para os românticos de plantão, mais um texto regado a sentimentos de Marcio Muniz.

Hoje, na a #QuintaAutoralFabulônica...

Nós dois




   Esfrega tua felicidade na minha cara. Fala que já me esqueceu, ou melhor, que nunca me amou como eu te amei e ainda amo.
  Diz que ainda o ama e quer tentar consertar as coisas, voltar para ele. Retorna para aquela realidade sem sal e monocromática da qual fugias quando me conheceu, para toda falta de atenção e de paixão que tinhas antes. Vai e ignora minhas mensagens, desdenha dos meus olhares, desvia deles como quem foge da cruz. Evita minha presença e  jura que não quer mais saber de mim.
  Grita para o mundo inteiro ouvir, finja que nunca te fiz feliz. Se tiveres coragem comenta por aí que nunca te fiz sentir mulher, amada, desejada, respeitada.
  Diga suas verdades para o mundo ouvir se fores capaz de calar a verdade que reverbera em você, a de que ainda me amas, que evita meus olhares para não seres apanhada em flagrante. Que evita meu toque para que o arrepio que ele ainda te provoca não a denuncie. É verdade que este amor não foi perfeito, que eu tenho os meus defeitos.
  Sim, houve problemas, coisas de casal, mas como negar o que sentimos? Como deixar de lado a bonita história que construímos. Todo companheirismo e cumplicidade que compartilhamos. Como negar toda intimidade dos nossos momentos a dois, todo desejo que explodia em nós entre os lençóis.
  Será que a tal estabilidade que procuras não seja exatamente a falta de paixão na qual se entregam algumas relações depois de um tempo? Só quem tem a alma leve percebe a sutileza do amor, desfruta dele e suas nuances. Deixe de lado por ora este seu pragmatismo e entregue-se a fantasia típica dos poemas. Deixe de focar nos problemas e viva a vida de vez em quando, sem pensar no amanhã. Deponha as armas e não lute contra o que estás sentindo. Renda-se, entregue-se, aceite que as vezes, perder também é ganhar. Que é melhor ser feliz do que ter certezas. Não me deixe agora, venha e me dê a sua mão, deixa eu ser teu guardião. Permita-me conduzi-la nesta dança. Deixa eu ser seu par, deixe-se levar pela melodia que como uma poesia sei que tocas no seu coração.
  Você pode até me dar as costas agora mas se o fizer, talvez não tenhamos outra oportunidade para vivermos tudo isto novamente.  Deixemos de lado o passado e foquemos o tempo presente, por isso, é preciso dar um passo adiante, que deixemos de ser meros amantes e nos tornemos mais. Deixemos para trás as tardes em um quarto de motel e ganhemos o mundo. Que sejamos não só enamorados mas um casal normal de namorados, marido e mulher e tudo mais que você quiser. Eu quero e sei que também pensas assim. Não nos machuquemos mais com antigos relacionamentos, é hora de romper com as correntes, deixar as desculpas de lado e assumir este sentimento, esta relação. Há muito não temos um casinho qualquer, atravessamos esta fronteira e nos tornamos um caso sério. Lembre-se das juras e promessas que fizemos envolvidos nos braços um do outro. Não tenho mais o que dizer ou argumentar, deixo em suas mãos a decisão, assim como há muito tempo atrás deixei o meu coração.
O Autor

Marcio Muniz
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre o autor

Quinta Autoral Fabulônica: Márcio Muniz

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Hoje a #QuintaAutoralFabulônica está "I Miss You"

E como não temos em outra língua palavra tão significativa quanto Saudade, a autora Sandra Milani Moreira traduz para nós seu significado.

Saudade sem fim





É difícil encontrar alguém que possa dizer, realmente, que nunca sentiu saudade de nada.
Saudade de uma pessoa, um lugar, um momento, uma música, um livro, um poema, uma história...
Uma palavra pequena, mas com um significado tão grande.
Sentimos saudades de momentos que não voltam e muitas vezes de momentos que nem vivemos.
A saudade nos deixa uma nostalgia que pode ser boa e trazer sentimentos prazerosos ou ao contrário nos lembrar de coisas que não nos fazem bem, mas que são difíceis de controlar.
Bebemos saudade a vida inteira.
Acordamos, dormimos e no meio de tudo a vivemos e a contemplamos.
Quando sentimos falta de alguém que está distante de nós por algum motivo, os sentimentos se tornam muito mais intensos:
Sinceras se tornam as palavras à distância,
Amor e carinho que invadem a alma,
Único sentimento inexplicável,
Demasiado e forte,
Além do possível e do impossível,
De onde se possa estar,
E para onde sempre estiver.
Que toda essa saudade se transforme em presença e amor sem fim, como sempre foi e será infinitamente,
Que possamos demonstrar com sinceridade nossos sentimentos não só na saudade, na distância, na ausência, mas principalmente saibamos valorizar a presença, a vida que nos cerca.
Que nunca deixemos o tempo passar em vão para só depois lembrar e nos arrependermos de palavras não ditas, de amores não vividos e de sentimentos não demonstrados.
Que a saudade possa ser um bálsamo para nossa alma, para nossos sentimentos e parta toda a nossa vida!


A Autora


Sandra Milani Moreira
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre a autora

Quinta Autoral Fabulônica - Sandra Milani Moreira

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Hoje o texto da Fran está demais e vocês ainda podem escolher o final na #QuintaAutoralFabulônica.


Minha querida vizinha


“Diz-me quem é o teu vizinho que te direi a fria em que te enfiaste”
(Provérbio meu, criado ‘inda agorinha)

Gostar de morar em prédio não é unanimidade. Há quem seja indiferente e se mova em passos distraídos do portão da calçada até a entrada do apartamento, sem sofrer com as etapas de passagem pelo portão A, portão B, portão C, janelinha da portaria, hall de entrada, corredor de espera pelo elevador, saída dessa caixa móvel e, por fim, a penetração na morada em si, sob olhares curiosos e insolentes de vizinhos de acesso.
Há os que, entretanto, veem-se deleitados em poder, a cada movimento, parar sem pressa alguma e abordar, com qualquer passante, assuntos relativos ao tempo, aos preços exorbitantes dos produtos no mercado ou a respeito do atraso na chegada do elevador. Será que está com defeito, vou de escada ou espero um pouco mais? Na semana passada esperei mais de dez minutos, que absurdo! Vou falar sobre isso com o síndico na próxima reunião de condomínio. Você vai, não é?
E, indubitavelmente, há os reservados que, por mais que estabeleçam relações educadas e cumprimentem a todos, sem contar anedotas pré-programadas, ainda assim fazem promessas mentais diárias para não se deparar com determinados vizinhos e não terem que improvisar relatórios pessoais sobre seus últimos feitos, como resposta aos questionários a que são submetidos.
A historieta que se segue trata dessa terceira espécie de morador. Mais do que isso: sobre vizinhos que dele se aproveitam.
Ela era toda cheia de prosa, falava alto, ocupava a vaga de garagem que melhor a beneficiasse, segurava o elevador o tanto que precisasse para que o filho comesse a despensa inteira antes de sair, deixava a porta aberta e fazia do hall uma extensão do seu apartamento. A primeira vez que nos vimos foi em meio à minha mudança: móveis entrando e ela, prestativa, foi entrando junto, como se estivesse a inventariar minha nova casa. Disse que poderia chamá-la se precisasse de QUALQUER coisa e mesmo depois que voltou para o seu canto, deixou a nítida impressão de que ainda falava comigo, dada a amplitude que o som de sua voz alcançava.
Tinha um basset castanho: barulhento, de língua feroz e fundo solto, pois se urinava por tudo diante de algumas emoções com as quais não sabia lidar. Seu latido era contínuo, mas a minha capacidade de sublimar alguns sons era um mérito honroso que me qualificava.
Acumulei meses de inconveniência, como conversas e toques de campainha fora de hora, gritos, brigas, até a minha vaga de carro ela ocupou! Via-a sair pelo corredor vestida apenas com roupas íntimas, encontrava-a no espaço da piscina ocupando todas as cadeiras disponíveis e presenciei cenas de maus tratos aos funcionários, que nos atendiam com respeito e devoção.
Naquele dia, quando abri a porta de serviço para tirar o lixo, eis que a dela também estava aberta. Ponderei que não viria algo bom dali, mas não tive reflexo rápido para fechar a porta.
Seu belo cachorro correu para a minha casa com a afoiteza de quem esperava desde sempre por aquele momento. Entrou e certeiro começou a urinar em cada pé de móvel que encontrou, em cada tapete, em cada brinquedo do meu filho, e refinou suas entregas, deixando pelo caminho algumas ejeções fecais.
A vizinha querida adentrou a cozinha e se riu toda ao encarar as peraltices do cãozinho; depois deixou a natureza seguir seu rumo, enquanto pronunciava a indesejada frase: “ele é danado, é assim mesmo”.
Final 1:
Apenas sorri e esperei que o Salsicha se esvaísse em xixi e voltasse ao seu recinto, para que, enfim, eu pudesse dar andamento à limpeza e dissipasse o cheiro agradável que sobrara em cada parte do meu pequeno universo. “Não tem problema, imagine”, fechei a porta humilhada.
Final 2:
Saí em voadora na direção dela. Expulsei-a da minha casa e da minha vida. Tranquei a porta e coloquei o cachorrinho de castigo, jurando que ensinaria a ele lições de bons modos. Pedi futuramente um resgate, pois boba não sou.
Final 3:
Nessa versão, por algum motivo, eu me encontro na delegacia, sem entender qual era a culpa que carregava. Estávamos na cozinha, a gaveta de facas acessível e, ao final, ninguém se feriu fatalmente, embora as manchas de sangue possam ser mais difíceis de desencardir do que de urina.
Uma vez que tentativas homicidas não me cabem, congelo ainda o sorriso no rosto de tão forçado que foi o primeiro final, o que consegui naquele momento. Em prédio, não quero mais morar. O som do vizinho é sempre mais alto e o xixi que vem de lá pode ser bem mais malcheiros.
A Autora


Francine Camargo 

https://www.facebook.com/francinesccamargo/

Quinta Autoral Fabulônica: Fancine Camargo

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Quer saber mais sobre as diferentes possibilidades de um texto tocar seu coração...


Hoje, na a #QuintaAutoralFabulônica...

Marcio Muniz


Quem disse que pouco precisa ser ruim? Quem nunca ouviu dizer que nos menores frascos estão os melhores perfumes? Essas máximas podem ser comprovadas com alguns gêneros literários como os Haicai´s, microcontos, trovas, poetrix, entre outros. Meu próximo livro trata um pouco disto e por isso, deixo aqui para vocês alguns textos meus com este viés.

Ela partiu, seguiu em frente, fez a sua fila andar. Apenas ele continuou apaixonado, preso naquele passado e a um amor que não existia mais.

Sábado a noite. Uma boate, bebidas, amigos. Volta pra casa, álcool, velocidade, imprudência. Morte.

Fim de semana, dias mornos e sem sal. Ele em casa com a família. Ela, a outra, de par com a solidão.

Tratou o inquilino tal lixo. Gritando, cobrou o aluguel. Hoje jaz tranquilo no fundo de uma lixeira.
Na madrugada, um grito. Apavorada, acordou seu marido. Pesadelo? Assalto? Não, somente outra barata.

Cansada de não ser prioridade, divorciou-se. Foi a luta. Dentre tantos amores, quis o amor próprio.
 Egoísta, queria só sexo, nada de amor. Conseguiu! O preço? A velhice solitária em um asilo qualquer.

Cansada de meninos, chapeuzinho vestiu a lingerie vermelha, seduziu lobo e caçador. Adeus inocência.

Subiu ao terraço para ficar sozinho e por as idéias no lugar. Deitou-se sob o manto de estrelas, pôs as mãos atrás da nuca e em silêncio entregou-se. Não importava se de olhos fechados ou abertos, naquele instante, ele apenas sonhava.

Não a procurava mais, desdenhava-lhe o corpo chamando-a de "bucho". Mal sabia ele que do outro lado do muro, na casa do vizinho, "buchada" era artigo de luxo.
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Comigo não tem essa,
Torço para o tempo passar depressa
E nos juntar novamente.

Preciso de você
Para não enlouquecer
De excesso de paixão.

Quando te vi
Mordi a língua
Sem poder dizer
O quanto estavas linda.

Toda saudade
É pedra no sapato
Na busca da felicidade.

Na verdade
Algumas musas viraram poesia,
Apenas você tornou-se realidade.

Alguns poemas só fazem sentido
Quando sussurrados deliciosamente
Ao pé do ouvido.

O que você diria
Se ao invés de poesia
Fosse uma declaração de amor?

A lagarta entrou no casulo
Metamorfoseou, saiu borboleta
Ganhou asas, voou para a vida.

Neste exato momento
Todos os versos que ando fazendo
São para chamar sua atenção.

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Pedaços de Mim

Tem livro novo sendo lançado????
Simmmmmm...

Para quem já conhece o trabalho primoroso do Marcio, mais uma preciosidade para guardar na estante. Para quem ainda não conhece, uma chance de poetizar-se de vez.

Clique e compre o livro que está em pré-venda: Pedaços de Mim






O Autor

Marcio Muniz
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre o autor

Quinta Autoral Fabulônica: Márcio Muniz

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Neste dia especial, colorido e cheio de alegrias, vamos compartilhar este texto cheio de reflexão sobre o verdadeiro sentido da infância na #QuintaAutoralFabulônica.


Infância Perdida




Dia 12 de outubro. Mais um dia para a doce Lia comemorar. Ela tem nove anos e adora quando esse dia chega. A menina, dos olhos azuis da cor do mar, dos cabelos lisos e compridos ensolarados, dos dentes pequenos e do sorriso tímido, ama essa data.
É o melhor dia do ano depois do seu aniversário e do Natal. Ela ganha vários presentes e, mais do que isso, ela ganha atenção. Um dia todinho para ela. Os pais ficam inventando mil brincadeiras, os padrinhos aparecem para levá-la a um passeio divertido, os avós vêm para o lanche farto, os tios mandam carta de longe. Que dia mais feliz!
Neste ano não será diferente. Após um café na cama com direito a cosquinhas, um almoço delicioso na companhia dos avós, Lia saiu para passear com os padrinhos. Renata e Arthur não são tão presentes quanto gostariam, vivem viajando pelo mundo afora. Muito trabalho, pouco tempo. Mas o dia das crianças é sagrado. Pegam Lia e a levam para um belo passeio.
E depois de muita andança, a menina volta cansada. O sorriso no rosto denuncia a felicidade. Quase adormecendo, vai olhando o sol se pôr pelo vidro do carro. De repente, uma voz se aproxima
─ Tio, dá um trocado? – pede o menino maltrapilho diante do vidro de Arthur, que lhe dá meia dúzia de moedas capazes de brotar a alegria no rosto pálido daquele garoto.
Luiz é o seu nome. Um menino que vive pelas ruas a pedir esmolas para poder ter o que comer antes de dormir. Seu pai está preso, sua mãe doente. Tem três irmãozinhos mais novos. Assim, o menino de nove anos percorre as ruas de Curitiba em busca de uns trocados para não padecer de fome.
O menino Luiz não sabe o que é ser criança. Não tem direito a brincar, a estudar, a sonhar. Luta todos os dias para sobreviver. E ele não é o único. Quantos meninos assim não há pelas cidades? Fome, frio, solidão.  Crianças marcadas pela dor, sem direito à infância.

Inês segue cortando cana-de-açúcar, para ajudar no mísero sustento de casa. Já Ian fica horas no sinaleiro, debaixo do sol forte, implorando que comprem chicletes e pirulitos, para poder ter um pouco de leite para beber. Marcelina vive à espera de um pai ou uma mãe que possa lhe tirar daquele abrigo fétido, em que a solidão lhe abraça diariamente. Inácio anda quilômetros para ir à escola aprender o bê-a-bá, sonhando com dias melhores. E Álvaro está no hospital, apenas esperando um transplante de medula, sua única esperança para ter um futuro.

Luiz, Inês, Ian, Marcelina, Inácio, Álvaro. Tão pequenos, com tantas dores. Essa é a infância de muitos, uma infância perdida. Nem todos são como Lia que precisam se preocupar apenas em aproveitar a alegria dos dias ensolarados, podendo ser criança de verdade, com direito a sonhos e brincadeiras… Para alguns, ser criança é apenas utopia!

A Autora

Ana Rapha Nunes
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre o trabalho da Ana
https://www.facebook.com/escritoraanarapha/

Quinta Autoral Fabulônica: Dia das Crianças - Ana Rapha Nunes

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Prontos para conhecer a escuridão de Francine Carmargo?
Hoje, na a #QuintaAutoralFabulônica.


De Amores e Monstros


“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” (Nietzsche).

Diante da cadeira à mesa do café, riso não havia. Era um homem com sua xícara. Enquanto o café esfriava ao passar apressado dos minutos, ele aceitava o que não conhecia. Aceitava mesmo sem confiar e fazia da copa um confessionário silencioso, onde segredos não se revelariam à hora serena do dia.
Teria ele sido mutilado nos quarenta anos em que vivera até então? Porque algo nauseava seus dias como uma falta do amor dormente, um membro decepado, um pedaço penosamente arrancado que ficou pelo caminho. Pouco de si lhe pertencia e o que ainda era seu, não reconhecia.
E a falta de identidade fazia com que vivesse sem garantias: sem proteção para se aprofundar em uma companhia; sem respaldo para tomar um café com pressa; com desinteresse de ter a xícara cheia ou vazia, meio cheia ou meio vazia, café meio quente ou meio morno. Não importavam as entrelinhas...
Até que a mudez lhe foi bruscamente proibida, sem licença prévia, inundando o cômodo com sua chegada.
– Shhhhhhhh – era o aviso de sua presença.
Virou o rosto e encarou a forasteira, visão mais insólita ainda não conhecia. Mas não se preocupou imediatamente em saber quem era ou o que era ou como teria entrado. Só temeu que o invadisse.
– Que quer aqui?
Ela sorria. Parte do seu corpo de mulher ondulava. Possuía olhos cintilantes e incisivos, cabelos longamente negros e eletrizados e os lábios entreabertos, deixando-se avistar a língua bifurcada, precipitada a se exibir, em sua linguagem reptiliana. O tronco nu esbanjava seios fartos e abrigados por escamas, a enrijecerem a pele disforme. No restante, era a cauda remanescente e rudimentar que permitia que a figura se deslocasse, rastejante em direção ao homem, sem intenção de parar.
– Vim para trazer-te luz.
Ela era claridade, geradora de todos os monstros.
Ele não se convenceu, porém, dos propósitos da ninfa/serpente e logo se esquivou:
– Pois perdeu seu tempo. A escuridão não me incomoda.
– Isso porque ainda não viste a coragem.
Pigarreou em resposta o homem desguarnecido e optou por não doar seu tempo à infratora que se apossava da sua casa e dos seus minutos de paz. Coragem! Como não teria coragem se era exatamente quem podia ser? Como não teria visto a coragem se fora obrigado a realizar o parto de si mesmo anos antes, quando a morte lhe tomara o caminho e nada mais restava se não nascer de novo, do novo, enfim? Como ousava dizer que a coragem não cruzou o seu caminho se ele já havia então acontecido?
– Mas não basta assumires a coragem, são teus medos que ainda fazem morada dentro de ti, shhhhhhh.
– E o que traria você de diferente para mim?
– Deixa-me ser teu demônio, deixa-me ser o teu tormento.
Com demônios já não vivia, já que quando decidiu afastá-los, colocou em seu lugar ele próprio, incompleto e sem verdades.
– Pois muito bem. Já que está aqui, faça-me um favor.
– Shhhhh...serei tua serva nesses instantes, mas sê breve e não penses que nada levarei em retorno. Dá-me algo em agradecimento?
O homem a fitou com um quê de desconfiança, mas temores não colecionava mais e podia se desencarcerar de qualquer bem, de qualquer prisão, de toda intimidade.
– Peça o que quiser, Équidna.
– Sabes meu nome?
– Sim, reconheço sua sombra, pois nas trevas já me embrenhei – e acrescentou com os olhos já fechados – por que viver de amor, esse que se julga o mais belo dos sentimentos, o mais imponente? Por que ele exerce o seu domínio e finge ser completo, se tanta dor é capaz de germinar? É somente essa resposta de que preciso.
O monstro maior contornou a figura do homem, agora calado e respeitoso, aguardando a conclusão. Por onde passou, deixou um rastro de seu corpo, uma fração reluzente de crostas em volta da cadeira, em preparo para a partida.
– Engana-te.
– Em que me engano? Responda e leve de mim o que desejar.
Shhhhhhhhh. Sorriu complacente a dama dos assombros.
– Isso que chamas de amor e é grandioso açoita porque é corpo e é alma, porque é verso e reverso, porque é outono e é primavera. Porque tem que se perder para ganhar, mas quando se colhe, já está se desfazendo. Porque também se sustenta do ódio, porque não morre à despedida, porque não importa quantos gritos e quantos ‘nãos’ tu sejas capaz de entoar, serão, ao final, os ‘sins’ e a mudez silentes que contarão a tua história.
Estava ele dolorido e sentindo o peso do dia, da vida que viria.
– Lutas tanto pelo amor, mas te esquece de que pelo amor também se luta contra. Assim é, assim precisa ser feito, senão serás pela metade.
Era hora de viver a vida inteira.
– Que levará de mim?
Inspirou profundamente a cobra mulher, como se sua recompensa fossem os possíveis aromas que impregnassem seu corpo distorcido.
– Faz um novo café para mim, pois nada que é morno me agrada.
E tomaram juntos, sem afoiteza o café fresco, tétrico na cor, contudo vívido em seu estado febril. E a partir dali, poderiam ambos partir, pois um e outro, com sua função, estariam prontos para entregar-se ao mundo, mesmo sem dele muito compreenderem.

A Autora

Francine S. C. Camargo
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre a Francine
https://www.facebook.com/francinesccamargo/

Quinta Autoral: Francine Camargo

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Homens Românticos...

Eles existem? Aonde vivem? É possível ter uma experiência real com eles? Estão em extinção?

Hoje, na a #QuintaAutoralFabulônica.


Porque os românticos morrem cedo

Talvez pelo fato de eu ser poeta, muita gente me pergunte onde estão os homens românticos. Vou discorrer aqui minha humilde (e polêmica!) opinião.
Bom, alguém já viu algum menino no colégio ser elogiado por ser sensível demais? A verdade é que os garotos desde cedo tem que mostrar sua “masculinidade”, afinal, homem não chora, homem precisa ser forte. Demonstrar sentimentos em nossa sociedade é visto como sinal de fraqueza. É repetindo esses mantras que os garotos crescem.
Logo na sequência, imaturos em relação as meninas de sua idade, são preteridos justamente na fase de seus primeiros amores, tudo por que as garotas nesta fase da vida, estão preferindo os caras mais velhos e maduros. Daí vem as primeiras desilusões.
Então, começam a namorar e a nesta altura de suas vidas, os românticos são aqueles caras que gostam de cuidar, de ligar sem motivo, querem estar sempre perto de quem gostam e aí, o que acontece? Ganham a pecha de “grudentos” e as garotas vão preferir os mais populares e descolados, aqueles que as façam suspirar, mesmo que as façam sofrer depois. Os tímidos e românticos, sobram outra vez.
Mais tarde, por uma questão de personalidade, os mais românticos, em sua maioria caseiros e afeitos aos programas intimistas, acabam não tendo vez na turma dos que são chegados às baladas e curtições, destoando da turma, são relegados a segundo plano.
Por fim, quando a maior parte das garotas já passou pelas fases que citei e buscam o carinha romântico para ter um relacionamento sério e estável, lamento informa-las de que a maioria deles ou já foi fisgado ou desisitiu de ser assim, ficando pelo meio do caminho. De tanto ser preterido, o antes romântico entende que não vale a pena para o homem ser assim, que a sociedade e a maioria das garotas não valoriza suas características. É verdade que as mulheres hoje são muito mais independentes em relação ao homem. É verdade que elas não “precisam” mais de nós e ocupam lugares que nada ficam a dever aos seres do sexo masculino. Também é verdade que seguindo a teoria “Darwinista”, o homem moderno precisa se adaptar (e acreditem, temos tentado). Contudo, as características que as mulheres ainda buscam hoje em um homem, são em sua maioria conflitantes no quesito personalidade. Dificilmente o mocinho todo seguro de si, que curte baladas, malha na academia para ficar sarado, também será culto, romântico, atencioso, bom de cama, etc, vai existir. Devido as limitações de tempo, gosto pessoal e personalidade, ou o cara vai curtir livros e programas mais intimistas, por exemplo,  ou vai ser um baladeiro e frequentar academia noutra ponta.
Por isso tudo é que digo. O espécime masculino e romântico será cada vez mais um ser em extinção em nosso mundo moderno. Se isto for uma escolha das moças dos tempos atuais, tudo bem. Senão, é preciso desde cedo pensar em ter outros olhos e buscar salvar a espécie da extinção iminente.

O Autor

Marcio Muniz
*Clique na imagem abaixo e conheça mais sobre o autor

Quinta Autoral: Marcio Muniz

Juliana Lima
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Olá Pessoal!

Hoje a #QuintaAutoralFabulônica está primaveril.

Ela estreia hoje na Quinta Autoral e também como colunista e resenhista do blog, a autora Sandra Milani Moreira.

Solstício de Primavera


Com o frescor da brisa
já dava para perceber que surgia uma tormenta.
Era possível vê-la ao longe, no horizonte.
Mas, com certeza, não seria maior do que a que já havia se formado dentro de mim!
Então, disse ao vento:
- Leve minha mágoa, leve meu rancor, leve tudo o que me atormenta.
E, ao final dessa tempestade, 
que dentro de mim também haja a calmaria.
E assim se fez... 
Ao passar a tormenta, 
tudo que me consumia também sumiu.
Esvaiu-se com o vento,
o sol novamente surgiu
e ao se pôr me fez descobrir
que naquele solstício nasceria também dentro de mim 
novamente a Primavera.

A Autora


Sandra Milani Moreira
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Quinta Autoral: Sandra Milani Moreira

Juliana Lima
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